Na noite da última sexta-feira (27), no salão do Centro de Eventos Paraná Expo, 412 histórias de superação, persistência, coragem, renúncias e sonhos realizados foram diplomadas.
Entre elas, a da Ana Laura Correa dos Santos que veio de Penápolis (SP) para cursar Comunicação e Multimeios na Universidade Estadual de Maringá (UEM). “Foi uma experiência transformadora, que não trocaria por nada, principalmente por escolher estudar aquilo que gosto. É como se existisse uma pessoa antes e outra depois dessa trajetória. Mesmo com as dificuldades, foi um período muito importante para o meu crescimento pessoal. Aprender a viver em outra cidade, em outro estado ainda, me trouxe maturidade e autonomia. No fundo, nunca estive realmente sozinha, sempre tive o apoio da minha família e dos amigos que encontrei aqui em Maringá”, relata.
Os pais orgulhosos viajaram 340 km para assistir à colação de grau da filha, que inicia uma nova fase como profissional. “É um conjunto de sentimentos ao mesmo tempo. Orgulho por ter concluído uma graduação em uma universidade pública como a UEM. Honra por fazer parte da primeira turma noturna do curso de Comunicação e Multimeios a se formar. Saudades dos meus amigos e da rotina que construímos ao longo desses anos. E, ao mesmo tempo, um certo medo diante do futuro, por ainda não saber exatamente como será daqui para frente”, afirma a recém-formada.
Internacional
A família da egípcia Retag Ali Hassan Zafer Ali Kadah viveu a emoção da formatura pela segunda vez. No ano passado, ela concluiu Letras Português/Inglês (Licenciatura). Agora, recebeu o diploma do mesmo curso na modalidade Bacharelado. “Estou muito feliz e orgulhosa por estar aqui novamente na colação de grau. Hoje me formo bacharel em Tradução pela UEM. É uma grande conquista chegar até aqui, fazendo mais um curso. Tenho muito orgulho de ser UEM. Pretendo atuar na área de tradução. Atualmente sou professora, mas quero também seguir nessa nova área”, planeja.
Retag e os pais
Rosbelis Alicia Bonillo Ballera amplia a lista de neograduados internacionais. A venezuelana reescreve a própria história no Brasil e no ensino superior. “Cheguei ao Brasil por causa da situação do meu país, que vive uma ditadura e um conflito econômico e social. Vi no Brasil a possibilidade de recomeçar. Entrei como refugiada, assim como minha família. Foi muito difícil, mas nosso objetivo era construir uma nova vida e estamos fazendo isso”, conta.
Segundo ela, o desafio foi muito além das disciplinas do curso de Geografia. “Estudar na UEM foi desafiador, principalmente por causa da língua. Além do curso na área de Geociências, aprendi a ler, escrever e falar em português. Aprendi sobre arte, cultura e formas de relacionamento no Brasil. Foi muito enriquecedor. Sempre recebi muito apoio dos professores e colegas. Eles compreendiam minhas dificuldades com o idioma, mas também valorizavam os conhecimentos que eu trazia do meu país. Fizemos muitas pesquisas, e me formo com honra.”.
Rosbelis continua a carreira acadêmica na UEM ao ingressar no mestrado. “Essa conquista não é só minha ou da minha família, mas de todos os refugiados. Quando cheguei ao Brasil, estava sem expectativas. Hoje tenho duas carreiras, oportunidades de seguir para o mestrado e um futuro que parecia impossível. Sinto muita vitória e gratidão. O Brasil e a UEM me deram oportunidades que eu aproveitei ao máximo", finaliza.
Superação
O caminho de Isabela Ferreira Gomes até o diploma de Artes Visuais também foi cheio de percalços. Surda, precisou se adaptar às aulas, aos professores, aos colegas e à presença do intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Quando entrei na UEM, senti muito nervosismo. Meu estômago parecia gelado! Era meu primeiro curso superior, então eu estava preocupada, com medo do desconhecido, mas também muito feliz e cheia de sonhos e novas expectativas. Minha trajetória na UEM foi marcada por muitos aprendizados. Passei por desafios, mas também recebi apoio que fizeram diferença na minha caminhada. Isso me deu força para continuar”, relembra.
Agora é tempo de comemoração. “É uma emoção muito forte e difícil de explicar. É um sentimento de orgulho, superação e gratidão. Olho para trás e vejo tudo o que enfrentei, e sinto que cada esforço valeu a pena.”. Para o futuro, ela já tem planos definidos. “Quero continuar estudando e nunca parar de aprender. Pretendo fazer pós-graduação, mestrado, doutorado e até pós-doutorado, pois, educação transforma vidas, e eu quero crescer, me especializar e contribuir com a valorização da comunidade surda. Meu sonho é fazer a diferença na sociedade e mostrar que a pessoa surda é capaz de alcançar qualquer objetivo.”.
Cerimônia e Discursos
A solenidade celebrou a trajetória das famílias de Anas Lauras, Retags, Rosbelis, Isabelas e dos mais de 400 neograduados que superaram desafios e concluíram os 15 cursos afetos do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH): Artes Cênicas (15); Artes Visuais (26); Ciências Sociais (24); Comunicação e Multimeios (29); Filosofia (6); Geografia (29); História (27); Letras e Letras EaD (65); Música e Música Parfor (26); Pedagogia e Pedagogia EaD (73); Psicologia (72); e Secretariado Executivo Trilíngue (20).
Desses 86 foram laureados, entre eles a Rosbelis e a Isabela. A Láurea Acadêmica é uma honraria concedida a estudantes de graduação para aqueles que demonstram excelência e alto desempenho acadêmico ao longo do curso com nota média final igual ou superior a 9,0.
A juramentista da noite foi Maria Luisa Sant’Anna Ramos Alecrim, do curso de Geografia, que conduziu o compromisso solene em nome das turmas.
Representando os formandos, a oradora geral Júlia Carolina Ferreira de Moraes, do curso de Artes Cênicas, destacou a trajetória coletiva construída ao longo da graduação. Em seu discurso, afirmou que a noite simbolizava mais do que o encerramento de um ciclo, mas a celebração de experiências que atravessaram e transformaram cada estudante.
Ela relembrou o ingresso na universidade, o primeiro trabalho entregue, os encontros no Restaurante Universitário e as amizades construídas. “O passo mais importante não está no próximo, mas no que estamos dando agora”, disse, ao enfatizar a importância de celebrar o presente como fruto de superações.
A oradora também ressaltou o papel das Ciências Humanas na sociedade, lembrando que artistas, professores, pesquisadores, psicólogos e comunicadores formados ali carregam a responsabilidade de produzir conhecimento e sensibilidade. Ao final, agradeceu familiares, amigos e professores.
Paraninfo da turma, o professor Eduardo Souza de Morais defendeu a universidade pública como espaço de transformação individual e coletiva. Ele destacou que a conquista do diploma representa disciplina, persistência e compromisso com o conhecimento.
Em sua fala, lembrou que também teve a vida transformada pela educação pública. “A universidade pública, gratuita e de qualidade muda destinos. Ela amplia horizontes, constrói pensamento crítico e fortalece a cidadania. Defender a universidade pública é defender o futuro da sociedade”, afirmou.
O docente incentivou os formandos a buscarem não apenas realização financeira, mas sentido e responsabilidade social em suas profissões. “Sonhar não é ingenuidade. Sonhar é o primeiro passo para transformar a realidade. Levem consigo o que aprenderam aqui e façam diferença onde estiverem.”.
A vice-reitora enfatizou que a universidade pública deve ser plural e comprometida com políticas de equidade. “A Justiça não significa tratar todos de forma idêntica, mas reconhecer desigualdades e agir para superá-las. É por isso que as políticas de cotas e as ações afirmativas são fundamentais”, declarou.
Ela reforçou que a universidade não é espaço de elite, mas de democratização do conhecimento. “Uma instituição pública só cumpre sua missão quando garante acesso, permanência e oportunidades a todos. Vocês, formados nas Ciências Humanas, têm o compromisso de defender a inclusão, a diversidade e a dignidade humana”, completou.
Encerrando as manifestações, o reitor Leandro Vanalli dirigiu-se aos formandos com uma mensagem de reconhecimento e incentivo. Ele parabenizou cada estudante em nome da instituição e ressaltou que a conquista é fruto de esforço coletivo. “Hoje é uma noite de celebração, mas também de responsabilidade. Vocês receberam uma formação de excelência, construída com dedicação de professores, técnicos e de cada um de vocês. Essa formação não termina aqui; ela se renova a cada desafio que enfrentarão”, afirmou.
O reitor destacou que o diploma simboliza não apenas competência técnica, mas compromisso ético. “A sociedade espera de vocês sensibilidade, responsabilidade e capacidade de diálogo. O conhecimento que vocês carregam deve servir para transformar realidades.”.
Ele também ressaltou o orgulho institucional ao ver novos profissionais formados pela UEM. “Levem o nome da nossa universidade com honra. Onde estiverem, sejam referência de ética, de trabalho coletivo e de respeito às diferenças. A UEM continuará sendo a casa de vocês.”.
Ao finalizar, desejou coragem para enfrentar as incertezas do futuro. “Valorizem-se. Acreditem na própria trajetória. Os desafios virão, mas vocês têm base sólida para superá-los. Que sigam firmes, com esperança e compromisso com a sociedade.”.
Presenças
A cerimônia presidida pelo reitor Leandro Vanalli e pela vice-reitora Gisele Mendes contou com a presença de Hugo Alex da Silva, diretor de Assuntos Acadêmicos (DAA); Marcos Vinicius Francisco, pró-reitor de Ensino (PEN); Vânia Malagutti da Silva, pró-reitora de Extensão e Cultura (PEC); Érica Fernandes Alves, diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH); Oséias da Silva Martinuci, diretor-adjunto do CCH; Adeil Isabel Teixeira Benatti, representando o vereador Ítalo Maronezze; Lenon Marcato, delegado do Conselho Federal de Administração (CFA); Neuza Altoé, representando o prefeito Silvio Barros; Marta Luzia de Souza, representando Clodomir Luiz Ascari, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR); Leonor Dias Bombarda, coordenadora institucional do Parfor; Fabiane Freire França, diretora do Núcleo de Educação a Distância; vereadora Ana Lúcia, representando a Câmara Municipal de Maringá; Josiane Medeiros de Melo, coordenadora-adjunta da UAB; Débora de Melo Gonçalves Sant’Ana, assessora da Fundação Araucária; Verônica Regina Muler, do Núcleo Transdisciplinar de Defesa e Pesquisa da Criança e do Adolescente (NPCA); Daiane Massucatto, representando Maria Aparecida Madureira Chaves, coordenadora do Polo Engenheiro Beltrão; Lúcio Olivo Rosas, assessor de Comunicação; Célio Juvenal Costa, vice-presidente da ADUEM; Isabel Rodrigues Alves, assessora para Políticas de Inclusão; Renato Leão, coordenador do Escritório de Cooperação Internacional (ECI); Márcia Regina Paiva, diretora da Biblioteca Central; e André Luis Rosa, diretor de Cultura.
Também estiveram presentes membros do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEP), patronos, patronesses e homenageados das turmas.
Ciclo de formaturas 2025
Com a 69ª cerimônia conjunta de colação de grau, a UEM passa a contar com 87.617 graduados. As nove colações de grau serão realizadas até 13 de março, totalizando 1.654 concluintes de 2025, distribuídos pelas cidades de Maringá, Goioerê, Ivaiporã, Cidade Gaúcha, Umuarama e Cianorte.
Já foram realizadas quatro formaturas, entre os dias 24 e 27 de fevereiro, na Paraná Expo, sempre às 19h. Na primeira, no dia 24, foram diplomados os concluintes dos cursos dos Centros de Ciências Agrárias (CCA), Biológicas (CCB), Exatas (CCE) e da Saúde (CCS). No dia seguinte, foi a vez dos estudantes vinculados ao Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CSA) receberem os certificados de conclusão de curso. Na sequência, no dia 26, colaram grau os formandos dos cursos ligados ao Centro de Tecnologia (CTC). Nesta sexta-feira (27), os graduandos do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH) encerraram o ciclo de cerimônias do câmpus Maringá.
Familiares e amigos que não puderam comparecer às solenidades de colação de grau dos concluintes do Câmpus Maringá podem acompanhar as cerimônias pelo canal da UEM TV no YouTube.
Nas unidades regionais da UEM, as solenidades se distribuem pela primeira metade de março, em cinco datas, entre os dias 5 e 13, também sempre às 19h. A primeira ocorre no auditório do Câmpus Regional de Goioerê (CRG). Em seguida, no dia 6, o Centro Cultural Olívia Hauptmann será palco da outorga de grau aos estudantes do Câmpus Regional do Vale do Ivaí (CRV). No dia 11, os concluintes do Câmpus Regional do Arenito (CAR) recebem o grau no auditório da unidade de Cidade Gaúcha. Completando o calendário, os câmpus regionais de Umuarama (CAU), no dia 12, no Centro Cultural Vera Schubert, e de Cianorte (CRC), no dia 13, no Cianorte Clube, fecham as colações de grau nas unidades regionais.
(Adriana Cardoso/Comunicação UEM)