A Associação Indigenista (Assindi) de Maringá anuncia uma mudança histórica em sua liderança e o fortalecimento de sua rede de cooperação técnica e pedagógica. Pela primeira vez em 26 anos, a entidade será presidida por uma liderança originária: o comunicador e educador Tadeu Kaingang, que assume o cargo com o compromisso de estreitar a integração entre a comunidade indígena e a Universidade Estadual de Maringá (UEM).
A nova gestão, que toma posse neste sábado (25/04) na sede da Associação, conta com o apoio fundamental da Comissão Universidade para os Indígenas (Cuia) órgão que desempenha um papel crucial no acolhimento e na permanência de estudantes indígenas na universidade. Juntas, Assíndi, UEM e CUIA pretendem transformar a associação em um polo de extensão universitária e inovação social.
A presença da UEM na nova fase da Assindi será técnica e científica. O vice-presidente eleito, Joaquim Carneiro Cipriano, é acadêmico de Agronomia da instituição e simboliza a nova geração de profissionais indígenas que buscam aplicar o conhecimento acadêmico em prol de seus territórios.
Tadeu Kaingang planeja buscar as incubadoras tecnológicas da UEM para viabilizar projetos práticos de geração de renda, como o beneficiamento de mel e a produção de itens de higiene. "A universidade precisa fazer o caminho inverso: não apenas o indígena ir até ela, mas ela chegar até a Assindi com modelos que funcionem na prática, respeitando a nossa cultura material", afirma Tadeu.
A Cuia
A parceria com a Cuia visa ampliar o olhar sobre a "circularidade" indígena na cidade. A Comissão já vem construindo, desde 2001, uma política de inclusão que formou médicos, psicólogos, enfermeiros e agrônomos indígenas na UEM. Agora, o objetivo é que a Assindi funcione como um braço de apoio para que esses estudantes e suas famílias tenham um acolhimento digno e produtivo durante o período de trânsito e permanência em Maringá.
Tadeu defende uma gestão paritária com uma diretoria composta por lideranças Kaingang e Guarani. Micro-associações organizadas por núcleos familiares para fortalecer a representatividade e o escoamento da arte indígena. Ainda defende a Interculturalidade e pesquisa como estímulo à produção científica transdisciplinar, unindo áreas como Arquitetura, Design e Engenharia de Produção aos saberes tradicionais.
Para a nova presidência, a colaboração com a UEM e a CUIA é essencial para mudar a forma como a sociedade enxerga o indígena na cidade, substituindo a visão de vulnerabilidade pela de potencial produtivo, artístico e intelectual.
(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)