Uma sala com a imagem de uma coruja empoleirada na placa de entrada no bloco 4, um dos mais antigos do câmpus sede da Universidade Estadual de Maringá (UEM), é o berço de pesquisas que vão desde a iniciação científica até o pós-doutorado. O Laboratório de História, Ciências e Ambiente (LHC) conta com 23 pesquisadores associados e moradoras inusitadas, que trabalham incansavelmente e dividem o espaço com livros, plantas e outros materiais de pesquisa.
Motivação não falta para quem utiliza o espaço para ler, estudar e pesquisar nas mais diferentes áreas do conhecimento. Isto porque uma colônia de aproximadamente 100 mil formigas Quenquém habita o laboratório, carregando flores e folhas com até 50 vezes o próprio peso e desenvolvendo um fungo como forma de alimento. Para o coordenador do LHC, Christian Fausto Moraes dos Santos, a ideia de tê-las no laboratório cumpre uma função didático-pedagógica.
Em viagens internacionais, o professor encontrou vários museus com espécies de formigas brasileiras sendo cultivadas, então trouxe a ideia para o próprio local de trabalho. A convivência já completa cinco anos. Além das formigas, o LHC abriga algumas plantas carnívoras, fósseis, obras raras, imagens mitológicas e artefatos históricos, como um microscópio do século 19. Um dos principais objetivos do laboratório é a divulgação científica por meio de vídeos e podcasts.
Segundo Santos, compartilhar o conhecimento adquirido na universidade em uma linguagem acessível é um desafio constante. “Eu acho que essa é uma provocação que é dada para nós muitas vezes dentro da universidade: o seu conhecimento traz alguma contribuição para a sociedade? Isso sempre me angustiou em um sentido construtivo. E nós trabalhamos com temas que são muito ligados ao cotidiano das pessoas: a história das ciências, da alimentação, das ciências naturais e das ciências da saúde.”
Frutos da UEM
A graduada Luana Carolina Gonzalez Carvalho, recentemente aprovada no Mestrado em História da UEM, pesquisa a geração espontânea em pedras, plantas e insetos, na linha das ciências da natureza. Integrante do LHC há dois anos, ela é responsável pela edição dos materiais de divulgação científica nas redes sociais. “Eu tenho uma avó que foi professora, duas tias pedagogas que foram diretoras de colégios em Maringá, então eu sempre tive muito incentivo ao estudo, à educação… e eu tive que vir para a História, não teve outro jeito”, conta.
A pesquisadora se emociona ao falar sobre o laboratório, pois, para ela, significou “uma mudança de vida”. “Acho que as pessoas subestimam muito o poder da educação. Como ela abre portas, caminhos e como muda o pensamento. É um outro universo quando você entra na universidade. Você muda como aluno, como pessoa. Fora a qualidade de ensino que tem esse lugar, as possibilidades. Então, apesar de todos os problemas que a sociedade enuncia sobre a universidade, ela acolhe, sim, dá políticas públicas e oferece ensino e professores incríveis e excelentes.”
Formado em História pela UEM, o professor confessa que escolheu o curso na fila da inscrição, que era presencial na época. Com o tempo, descobriu que a graduação permitiu que ele transitasse por diferentes áreas, com pesquisas na História das Ciências, por exemplo. Depois do doutorado na Fundação Oswaldo Cruz, retornou como docente e teve a oportunidade de iniciar um laboratório. “É uma realização quase de infância, porque quando eu era garoto eu achava a figura do cientista super fascinante”, admite.
Serviço - LHC
O Laboratório de História, Ciências e Ambiente (LHC) está localizado na sala 11 do bloco 4 e está aberto para visitação de pequenos grupos mediante agendamento prévio. Nas redes sociais, o projeto de divulgação científica está no Instagram, no Facebook, no Spotify e no Youtube, com o perfil @lhcuem.
O LHC foi tema do Socializando o Conhecimento, programa semanal da UEM FM. Ouça o episódio no Spotify.
(Mônica Chagas/Comunicação UEM)