O 6º Encontro com as Culturas Indígenas reuniu cerca de cem representantes dos povos Kaingang, Guarani e Xetá, vindos da aldeia Apucaraninha e de outras localizadas em Manoel Ribas, Londrina e Curitiba, neste sábado, 8, e domingo, 9, na Associação Indigenista de Maringá (Assindi). Promovido pela Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Juventude, Cidadania e Migrantes (Sejuc), o evento criou um espaço de convivência, troca de experiências e valorização cultural, com rodas de conversa, palestras, oficinas, feira de artesanato, saberes tradicionais e apresentações culturais. A programação também celebrou o Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado em 9 de agosto.
Para a secretária de Juventude, Cidadania e Migrantes, Sandra Franchini, o encontro ajuda a ampliar o conhecimento e combater preconceitos. “O evento permite que essa tradição seja partilhada e valorizada, além de contribuir para desmistificar o racismo que ainda existe em relação às culturas indígenas e ampliar a compreensão sobre seus modos de vida. É também uma forma de fortalecer o diálogo e a integração com comunidades que fazem parte da nossa região”, destacou.
A 6ª edição do Encontro com as Culturas Indígenas – Darcy Dias de Souza’, teve como tema ‘Jykre: Celebrando o Bem Viver’. O presidente da Assindi, Tadeu Kaigang, explicou que a proposta do encontro é aproximar a sociedade da realidade dos povos indígenas e pro
mover o intercâmbio entre diferentes territórios e culturas. “O conceito de bem viver está diretamente relacionado ao espírito da iniciativa. Para celebrar o bem viver, usamos a palavra kaingang ‘Jykre’, que representa conhecimento e partilha. É um encontro intercultural”, disse.
A antropóloga Drieli Vieira ressaltou que a programação promove o espaço de fala dos povos indígenas. “Proporcionar espaços de fala aos povos indígenas é enriquecedor. Muitas vezes alguém fala por eles. Quando temos a oportunidade de escutá-los diretamente, conhecemos suas dificultardes, suas potencialidades e aprendemos muito mais”, ponderou. “Formar uma roda em torno de uma fogueira é uma expressão muito forte de interculturalidade. É essa ponte entre os povos indígenas e a cidade que o encontro busca construir”, acrescentou.
Morador da Assindi, Edinaldo Alves da Silva, de nome indígena Avá Djokó, que significa início do tempo de chuva, salientou que o evento ajuda a população a conhecer mais das comunidades indígenas e a romper estereótipos. “É muito importante que a população externa conheça essa realidade e perceba que, mesmo diante de tantas transformações e de um mundo cada vez mais tecnológico, continuamos cultivando nossas tradições”, ressaltou.
Ele também lembrou a contribuição de Darcy Dias de Souza para a história da Assindi e para o acolhimento dos povos indígenas em Maringá. “Foi uma parceria muito importante. Ela foi uma das pioneiras no Estado no trabalho junto às populações indígenas, e manter essa memória viva também é uma forma de reconhecimento”, comentou.
Aos 20 anos, o universitário e vice-presidente da Assindi, Joaquim Carneiro, transita entre a vida na cidade e a comunidade indígena. “É importante manter essa cultura viva. O evento trouxe muito conhecimento e aprendizado, algo que vou levar para a vida. Precisamos nos aproximar e conhecer não apenas a cultura Guarani, mas também a Kaingang, a Xetá e a de tantos outros povos do Brasil”, completou.
Integrante do povo Kaingang e liderança espiritual, Márcio Kojoj participou pela primeira vez do encontro em Maringá. “Aqui há artesanato, moradia para estudantes, memória e convivência. Por isso, atividades assim são muito importantes não apenas para os indígenas, mas também para que a população de Maringá possa conhecer, escutar e compreender melhor essas culturas”, concluiu.
(Texto: Comunicação PMM. Foto: Altair Godoy/PMM)