O 7º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários (CIELLI), realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) em junho, consolidou-se como uma das principais iniciativas acadêmicas da área de Letras no Brasil. Com aumento no número de participantes, fortalecimento das atividades presenciais e ampliação das ações junto à comunidade, o evento marcou uma nova etapa de crescimento para o Programa de Pós-Graduação em Letras (PLE/UEM).
Com o tema “Linguagem e Literatura em tensão com o contemporâneo: avanços, retrocessos, ameaças e desafios”, o encontro reuniu cerca de 960 participantes, número superior ao registrado na edição anterior. A programação contou com conferências, mesas-redondas, simpósios, minicursos, lançamentos de livros e atividades culturais, reunindo pesquisadores, professores e estudantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.
Para a professora Marcele Aires Franceschini, uma das organizadoras do evento, o crescimento do CIELLI é resultado de uma trajetória construída ao longo de mais de uma década. “A gente tem essa tradição. Nossa primeira edição foi em 2010 e, ao longo dos anos, recebemos grandes nomes da área. Se hoje conseguimos reunir quase mil participantes, é porque existe um trabalho contínuo e um reconhecimento nacional do evento”, destacou.
Um dos principais avanços da edição de 2026 foi a retomada das atividades presenciais. Durante três dias, a maior parte da programação ocorreu presencialmente no campus da UEM, reservando o último dia para os simpósios em formato remoto.
“O formato deu muito certo. Queríamos recuperar aquela experiência de encontro presencial, de troca entre pesquisadores e estudantes. O retorno que recebemos foi extremamente positivo”, avaliou o professor Gerson Luiz Pomari.
Os números também impressionam. Foram aproximadamente 75 simpósios e cerca de 750 trabalhos apresentados ao longo do evento. Participaram pesquisadores de diferentes estados brasileiros e de países como México, Colômbia, Moçambique e Cabo Verde, fortalecendo o caráter internacional do colóquio.
Segundo Pomari, o alcance do CIELLI vai além da quantidade de participantes. “Conseguimos reunir pesquisadores do Brasil inteiro e também estabelecer pontes importantes com estudiosos de outros países. Isso fortalece a pesquisa desenvolvida na UEM e amplia nossa inserção internacional”, afirmou.
Outra novidade foi a ampliação das atividades realizadas fora do campus universitário. Parte da programação ocorreu na Casa Luanda, espaço de referência para a cultura afro-brasileira em Maringá. O evento também promoveu minicursos voltados a professores das redes municipais de ensino de Maringá e Sarandi.
“A ideia foi levar o CIELLI para além da universidade. Tivemos atividades em espaços culturais e ações voltadas para a formação de professores da educação básica. Isso amplia o alcance social do evento e aproxima a produção acadêmica da comunidade”, explicou Pomari.
As discussões sobre inteligência artificial também tiveram destaque na programação. O tema esteve presente em diversos simpósios e pesquisas apresentadas durante o encontro, refletindo os desafios que as novas tecnologias impõem às áreas de Linguística, Literatura e Educação.
“A inteligência artificial já faz parte da realidade acadêmica. O desafio agora é compreender como utilizá-la de forma crítica e responsável. Por isso, o tema apareceu com força nas pesquisas apresentadas durante o colóquio”, observou Marcele Franceschini.
Além do impacto científico, o evento contribui diretamente para a manutenção da excelência acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Letras da UEM, que possui conceito 6 na avaliação da Capes, uma das notas mais altas do sistema nacional de pós-graduação.
Entre os convidados internacionais, um dos destaques foi o professor Leonardo Tonus, da Université Sorbonne Nouvelle, em Paris, responsável pela conferência de abertura e por atividades acadêmicas junto ao programa de pós-graduação.
(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)