Há quem faça as malas para ficar dois anos. E há quem descubra, sem perceber, que uma cidade fez morada dentro de si. Foi assim com o jornalista José Diniz Neto.
Saído de Porto Alegre, em 1981, ele chegou à Maringá para um trabalho temporário. O plano era simples: cumprir a missão, ganhar experiência e seguir viagem. Mas, cidade boa tem esse costume de desorganizar os planos da gente. Quando viu, já não eram dois anos. Eram quarenta e cinco.
Nesse tempo, viu prefeitos entrarem e saírem, vereadores defenderem suas ideias, prédios nascerem onde antes havia apenas projetos e debates. Assistiu a Câmara Municipal trocar de endereço, acompanhou a construção da sede atual e ajudou a construir outra obra menos visível, mas igualmente importante: a comunicação entre o Legislativo e a população.
Quem vive muito tempo em um lugar aprende que uma cidade não é feita apenas de ruas, árvores e prédios. Ela também é feita de histórias. Algumas sérias, outras engraçadas.
E poucas histórias são tão improváveis quanto a sessão legislativa interrompida por uma gargalhada coletiva.
Segundo Diniz, um vereador discursava com toda a eloquência quando sua dentadura saltou da boca em pleno uso da tribuna. Num reflexo digno de goleiro, o parlamentar conseguiu agarrá-la no ar. Foi o suficiente para que todos os presentes caíssem no riso. O presidente tentou retomar os trabalhos uma vez. Duas vezes. Até que, 15 minutos depois, ele encerrou a sessão porque um gargalhar para os demais replicarem. Essa é um exemplo de que a democracia também tem seus momentos de comédia.
Mas, nem só de episódios curiosos vive quem acompanha a política por tantas décadas.
Diniz Neto, como é mais conhecido, aprendeu que a Câmara é muito mais do que um prédio onde se votam leis. É um retrato da cidade. Ali, chegam empresários, trabalhadores, moradores da periferia, comerciantes, jovens, idosos. Chegam opiniões que se chocam, interesses que se chocam e conflitos que, muitas vezes, terminam em consenso.
Nem sempre é bonito de observar. Nem sempre é um momento elegante. Mas quase sempre é humano.
Talvez, por isso esse jornalista insista tanto numa ideia simples: muita gente critica a política sem nunca ter assistido a uma sessão ordinária, conversado com um vereador ou compreendido como as decisões acontecem. É mais fácil julgar de longe do que participar com suas opiniões.
Enquanto conversava sobre sua trajetória, Diniz Neto não parecia falar apenas da Câmara de Maringá. Falava de pertencimento. Falava de uma cidade que cresceu porque aprendeu a planejar o futuro sem esquecer que o desenvolvimento começa nas pessoas. Falava de Maringá como quem fala de um velho amigo.
No fim das contas, percebe-se que algumas cidades não são escolhidas no mapa. Elas escolhem seus moradores.
E, às vezes, bastam dois anos de planos para nascer uma história de quarenta e cinco. Ou de uma vida inteira.
(Comunicação CMM)